segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Entrevista com a Monja Coen sobre morte e luto




Por Monja Coen

1) Por que se tem tanto medo da morte?
Quem tem tanto medo da morte?
O que é a morte? Onde começa o morrer, não seria ao nascer?

2) Como se preparar para a morte (a nossa) e de alguém próximo?
Como nos preparar para a vida. A nossa e a de alguém próximo de nós. A vida nos prepara a viver. A morte nos prepara a morrer. Tudo está em constante transformação.
Sem um só instante de pausa. Vida-morte manifestando-se não como opostos.

3) Como superar a dor de perder alguém querido?
Através da memória correta. Da meditação correta, Do ponto de vista correto. Da fala correta. Da ação correta. Da concentração correta. Da vida correta. Do samadhi correto.

Tudo é passageiro, transitório. Sofremos a perda. E perdemos o sofrimento também.

Precisamos nos refazer. Refazer a teia de relacionamentos que fica fracionada com a morte de alguém próximo. Saber que um pouco de nós morre com nossos amigos e parentes e que um tanto grande de quem morreu vive em nós. Como dar vida a vida em nossas vidas?



4) O tempo é o melhor remédio?
Somos o tempo. Não é remédio o tempo. O remédio é a sabedoria suprema. A compreensão da transitoriedade. A aceitação da vida-morte como um processo de causas-condições-efeitos. E todos somos essa teia de interrelacionamentos.
Não podemos apenas ficar nos lamentando pelo que perdemos, centrados em nosso ego. É preciso orar pelos que se vão. Agradecer suas vidas, seus momentos conosco e libertá-los de nossos apegos.

5) Qual é o medo maior de morrer ou de perder alguém?
Depende de cada um. O essencial é conhecer o medo. O qeu é medo? Como se manifesta em nosso corpo? Como ficam nossos músculos, nossa respiração, batimento cardíaco? Então reconhecemos o medo e não somos mais controlados pelo medo. Ninguém quer perder um filho, uma filha, uma criança. Quantos pais não entregam suas vidas para manter a de seus filhos? Talvez nosso instinto de preservação da espécie seja mais forte - em manter as vidas sucessivas invés de primeiro pensarmos nas nossas. Mas nem todos são assim. E isso não são pensamentos de valores - quem é melhro, quem é pior. Apenas somos o que somos. E somos processos em transformação.

6) É possível ser feliz depois da morte de alguém muito querido?
Sempre é possível ser feliz. A felicidade está em nós. Uma capacidade de contentamento mesmo nas maiores dificuldades, dores, perdas. Reconhecemos o processo vida-morte em ação. É o nosso processo. E todos vamos morrer, assim como todos nossos ancestrais morreram. Faz parte da natureza humana. Não apagamos a memória. Não substituimos a pessoa por outra. mas continuamos nossa jornada, levando em nosso ser a marca da dor, mas não o peso, o trauma, a incapacidade de viver. Somos a vida. Somos a morte. Estamos todos interrelacionados. Intersomos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Amanhã eu faço...

Por Rafael Tonon

Adiar tarefas, planos e sonhos é muito mais comum do que se pensa.

Mas pode ser muito mais custoso também. Quer saber por quê? Então não deixe para depois e leia esta reportagem agora!

Faz uns 40 minutos que eu liguei o computador e abri um novo documento no Word na tentativa de começar a escrever este texto. Mas, antes de sentar aqui, na minha mesa, enfrentar a temida página em branco e começar a digitar estas letras, fui à cozinha preparar um café para ficar mais concentrado. Aproveitei para roubar uma bolacha do pote de vidro de cima da pia e puxei um assunto qualquer com a Cris, a moça que trabalha em casa. Na volta para o meu quarto, já com a xícara de café na mão, passei pela sala e espiei as manchetes do jor­nal que estava em cima da mesa. Não hesitei: puxei a cadeira e fiquei ali, lendo as notícias do dia. Quando voltei ao computador, abri logo meu correio eletrônico, dei um "enviar e receber" nos meus e-mails e acabei me distraindo ao responder às mensagens que chegaram. Depois que eu terminei, fui lembrar do arquivo à espera do meu texto... "Chega de protelar"; pensei. "É hora de trabalhar."

Mas se a procrastinação pode causar tantos danos, por que, afinal, deixamos para amanhã o que devemos ou podemos fazer hoje?

Aposto que você, quando pegou a revista para ler, também deixou algumas tarefas para segundo plano: lavar a louça acumulada na pia (sempre ela), dar um telefonema, guardar no armário a roupa passada (ou colocar para lavar a roupa suja)... Enfim, algo deve ter ficado para mais tarde - ou para amanhã, dependendo da intensidade da sua falta de vontade de realizar determinadas coisas. Toda hora, temos que decidir o que fazer. E, para cada coisa que fazemos, há uma relação de coisas não feitas. E isso é bem comum, principalmente nos dias atuais, em que as tarefas parecem se multiplicar nas nossas agendas. Tão comum, aliás, que existe até um termo criado para explicar esse comportamento demasiado humano: procrastinação, que, do latim, significa "postergar, atrasar, demorar, adiar, delongar"

A psicologia moderna já descobriu que 80% das pessoas procrastinam com certa frequência (se computarmos as que procrastinam de vez em quando, o número certamente sobe para 99,9%). O que nos leva a concluir que o nível de popularidade dessa tendência comportamental está mais em alta que a de muitos políticos por aí. Isso porque a procrastinação está presente em todas as áreas da nossa vida, do trabalho às questões pessoais. Procrastinamos a dieta, a arrumação dos armários, o check-up médico, o envio daquela cotação a um cliente, a entrega da declaração do Imposto de Renda. (Esse último item, aliás, vale um parêntese: este ano, a Receita Federal deu dois meses para receber as declarações dos contribuintes. A dez dias do prazo final, nem metade dos brasileiros que precisam declarar seus bens tinha enviado o documento ao governo. Sim, nós deixamos mesmo as coisas para a última hora.)



Estamos nessa
Ou seja, postergar nossos afazeres é bem mais normal do que poderíamos supor. Quem garante é o psicólogo Joseph Ferrari, da Universidade De Paul, do estado americano de Illinois, e um especialista no assunto. Ele estudou esse comportamento em países tão distintos como Austrália, Estados Unidos e Venezuela para comprovar que não se trata de algo cultural, mas de conduta intrínseca ao ser humano. "É um comportamento que é considerado tão natural na nossa sociedade que a maioria de nós começa o dia procrastinando, ao apertar aquele botão do despertador que permite que fiquemos na cama por mais cinco minutinhos ; diz. "Procrastinamos o tempo todo sem nem mesmo perceber que o fazemos"

Em pequena escala, empurrar com a barriga pode ser plausível. Afinal, há mais coisas a serem feitas do que qualquer um poderia dar conta em um único dia. Lembrar-se disso já é uma boa forma de ver a procrastinação com bons olhos, sem nos culparmos por não conseguirmos resolver todas as tarefas que a vida nos impõe. Não há mal nenhum em deixar para amanhã a renovação da carteira de motorista, o banho do cachorro ou a ida à costureira para pegar as roupas que ficaram prontas. O problema é quando se preterem muitas das tarefas. Ou então quando se adiam algumas delas por tempo demais.

O publicitário Sérgio Katz só se deu conta de que precisava parar de postergar os seus compromissos quando isso passou a lhe causar uma série de prejuízos - inclusive financeiros. Num curto intervalo de tempo, ele perdeu voos e a revisão gratuita do carro, pagou a academia de ginástica por meses sem nem ir sequer uma única vez e adiou incontáveis consultas e exames médicos. "Mas, de todas, a penalidade mais significativa era a tensão gerada e a energia que eu desperdiçava ao conviver permanentemente com uma preocupação sem resolvê-la de fato", diz. Quem procrastina sempre tem a ilusão de que adiar o problema é uma forma de solucioná-lo por enquanto. É como se o escondesse debaixo do tapete para, na próxima faxina, lidar novamente com ele. Mas a questão é que os problemas não deixam de existir na mente de quem os adia. E, o que é pior, alguns deles tomam proporções maiores com o passar do tempo. Se você deixar para cortar a grama no mês que vem, pode ter um esforço maior do que teria se a aparasse hoje. Esta é a percepção que o procrastinador não consegue enxergar: deixar para depois é quase sempre mais custoso.

O adiamento de algumas tarefas acaba virando uma bola de neve. Sem conseguir controlar o próprio tempo e as próprias ações, a pessoa percebe que os dias passam sem que ela tenha conseguido lidar de fato com as situações, causando uma angústia enorme. Sérgio diz que sempre foi de deixar as coisas para depois, como estudar de última hora nas vésperas das provas, quando ainda era um aluno do Ensino Médio. Mas, com a chegada da vida adulta e o acúmulo de responsabilidades que ela trouxe, ele tem que aprender a se refrear a cada dia. "Hoje, cada vez mais, concordo com uma música da Legião Urbana que fala que ‘disciplina é liberdade’", conta.



A tal prioridade
Mas, se a procrastinação pode causar tantos danos, por quê, afinal, nós deixamos para amanhã o que devemos ou podemos fazer hoje? Segundo Ferrari, temos a tendência de postergar tudo o que parece ser tedioso, demanda muito trabalho, não é para hoje. Ou o que não nos dê prazer imediato. A procrastinação é um embate entre o tempo psicológico, estabelecido pelos nossos desejos, e o tempo social, que é o marcado pelo do tique-taque constante do relógio. E ela pode estar relacionada a diferentes razões. Uma é a falta de autocontrole, que faz com que as pessoas acabem adiando atividades para as quais deveriam dar prioridade, justamente por agir de forma impulsiva e perder o senso crítico e racional da situação.

São pessoas que dizem gostar de trabalhar sob pressão ou resolver as coisas no limite do tempo. E afirmam ter um desempenho melhor dessa forma. Está certo que, enquanto o jogo está valendo, é possível fazer um gol até os 45 minutos do segundo tempo. Mas a chance de vencer uma partida com um gol de última hora é muito mais uma questão de sorte do que de bom desempenho. Nesse minuto final tão decisivo para o placar, é possível perder o passe, ter a bola roubada, errar o chute. Aí não há mais tempo hábil para reverter o jogo. "Essas pessoas nem sempre gostam de trabalhar assim, mas por ter dificuldade de estimar o próprio tempo e, por isso, deixar as coisas para a última hora, têm que entregar tudo sob pressão e fingem gostar disso", diz Ferrari. Na maioria das vezes, elas não conseguem calcular racionalmente o período necessário para a realização de uma tarefa, deixando-a, então, para os momentos finais.

No ambiente de trabalho, é comum agirmos pautados pelas prioridades. Ainda mais hoje, em que tudo parece ser ainda mais urgente. O senso de urgência teve sua referência alterada. Tudo é muito rápido, tudo é para ontem, tudo tem que ser agora. Do contrário, podemos perder clientes, dinheiro, posição ou até status, diz o consultor de recursos humanos Marcos Nascimento. Mas essa mudança no parâmetro de urgência afetou todos nós de forma negativa. Tanto que não podemos conviver com a ideia de deixar para amanhã a resposta a um e-mail que não é tão importante assim. Na ânsia de fazer tudo e mostrar para o chefe que dão conta de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, as pessoas acabam postergando as tarefas que deveriam ser fundamentais. "A tendência que temos em glamourizar o estresse influencia muito nossas decisões. Daí, como temos muitas coisas consideradas urgentes, é bem provável que coisas cruciais, realmente importantes, fiquem negligenciadas", afirma.

Ou seja, esse novo senso de urgência está fazendo com que nos tornemos mais procrastinadores ao adotarmos a ideia de que tudo é impreterível. Não é: há coisas mais urgentes do que outras. E estabelecer essa hierarquia de prioridades, apesar de difícil, é primordial para que as tarefas importantes sejam feitas com a dedicação que elas exigem. Estudos indicam que, quanto mais detalhada e objetiva for uma tarefa, mais chances temos de realizá-la. Se, ao contrário, percebemos uma atividade como distante do aqui e agora, tendemos a deixá-la para ser resolvida em um futuro vago, para quando sobrar um tempo - se é que vai sobrar. Por isso, é mais fácil procrastinarmos uma intenção (como começar a estudar italiano) do que uma tarefa (entregar um orçamento). Criar prazos e termos concretos é uma forma de nos impulsionarmos a pôr a mão no batente e seguir em frente - seja no que for. Se os editores desta revista não me dessem um prazo, dificilmente eu estaria contando o que eu apurei nesta reportagem para você neste momento. Provavelmente, ia continuar a me distrair com o jornal ou até com outros afazeres acumulados. Porque os prazos nos ajudam a vislumbrar o que tem que ser feito. E fazer!



Tomar decisões
Mas nem todo mundo consegue ter essa visão prática da vida. Tenho uma amiga que vive uma grande dificuldade nesse sentido. Não que ela não saiba o que é preciso fazer. Ela sabe - e faz muitas delas, principalmente no trabalho, onde todos nós costumamos ser mais responsáveis. Mas muitas vezes ela procrastina por não conseguir tomar uma decisão acertada das coisas. Desde que eu conheço a Carla (como ela pediu para chamá-la aqui), ela sempre foi assim: atrasada para todos os encontros e compromissos, ela tem um verdadeiro guarda-roupa no carro justamente por nunca conseguir ir para casa se trocar. Em aniversários e comemorações, ela não compra o presente de última hora: compra no outro dia, quando o aniversário já passou. Há duas semanas, a vi online no MSN e perguntei se ela permitia que eu contasse a história dela aqui, já que não conhecia uma pessoa mais procrastinadora. Ela gostou da ideia, mas precisaríamos conversar outra hora porque ela tinha que pagar uma conta pela internet ainda naquele dia. Detalhe: eram 23h40 da noite. "Sou enrolada mesmo,. Fico adiando e quando vejo passou da hora. Se eu sei que tenho 15 minutos para fazer alguma coisa, eu uso os 15 minutos cheios e ainda aproveito mais uns dez minutos que usaria para outra coisa"; admite.

Não pense que a Carla se vangloria por ser assim, não. Se pudesse, ela seria bem mais organizada e decidida. "Quando consigo me organizar e antecipar as coisas, sinto uma satisfação muito grande. Mas quase nunca consigo" diz. E essa impossibilidade não está ligada somente aos afazeres e compromissos, mas à vida pessoal. Em um relacionamento há cerca de oito anos, ela já não se sente tão envolvida, mas não consegue dar um ponto final à relação. "Nos últimos dois anos, o problema só se agravou. Eu continuo adiando, adiando e adiando. Mas eu simplesmente não enxergo o dia em que essa decisão terá que ser tomada. Fico buscando caminhos, saídas, soluções. Tudo para evitar cada vez mais algo que é inevitável, conta.

Carla faz parte de um grupo de pessoas que procrastinam por não conseguir tomar decisões porque não decidir, na cabeça delas, as absolve das responsabilidades que viriam com tais decisões. E, para não sofrer as consequências, preferem ficar estacionadas. A maioria de nós também é assim: temos a necessidade imperiosa de evitar ou desprazer a qualquer custo. Preferimos, muitas vezes, a agonia da espera, em lugar de fazer de uma vez o que precisamos, principalmente se for para nos causar qualquer tipo de sofrimento. Não conseguimos ter o distanciamento necessário para estabelecer uma relação entre esforços e resultados e perceber que o sofrimento, muitas vezes, vem em decorrência de uma mudança mais positiva. E que causaria muito mais prazer para nós mesmos.



Sem medo de arriscar
Segundo Ferrari, essa questão está ligada a nossa baixa autoestima e nossa insegurança. E, por causa delas, acabamos protelando por evitar o medo de não termos o sucesso esperado em algumas tarefas. "As pessoas com essas características são muito preocupadas com o que os outros pensam delas. Dessa forma, preferem que pensem que ela é displicente e tem problemas em se esforçar para agir do que percebam que, no fundo, elas não têm habilidade para isso" explica. Quem se lembra da história de Joe Gould sabe bem o que isso significa. Gould era um boêmio culto que vivia como um mendigo pelas ruas de Nova York entre as décadas de 1940 e 50 sem dinheiro no bolso e com uma ideia fixa na cabeça: escrever uma obra monumental que ele tinha intitulado de História Oral do Nosso Tempo. O livro seria o maior já escrito no mundo e reuniria ensaios e conversas ouvidas por ele em suas andanças pela metrópole americana.

No ambiente de trabalho, e comum agirmos pautados pelas prioridades. Ainda mais hoje em dia, em que tudo parece ser mais urgente.

O perfeccionismo exacerbado pode ser um dos entraves para a realização de todas as tarefas e obrigações que estão à nossa espera todos os dias.

Gould tinha certeza de que a obra faria dele um grande escritor e historiador dos tempos modernos, um nome para ser lembrado pela posteridade. Sua vida foi contada pelo repórter Joseph Mitchell, um dos maiores nomes do jornalismo literário, em dois perfis publicados na revista New Yorker - e depois reimpressos no livro O Segredo de Joe Gould. Sem querer ser um estraga-prazeres, revelando o segredo de Gould aqui, é imperativo: a História Oral não existia, era uma mentira forjada por Gould. Ele nunca chegou a escrever um rascunho do livro, apesar de propagar em conversas a grande obra-prima em que estava trabalhando. "A História Oral era seu salva-vidas, o único meio de se manter à tona”, escreveu Mitchell sobre seu personagem. "Se ele a tivesse escrito, provavelmente não haveria de ser o grande livro que andara apregoando para cima e para baixo"; acredita seu biógrafo.

Por achar que o livro propriamente dito fosse ser inferior à ideia que ele tinha (e fazia os outros terem), Gould recuou e preferiu viver por trás da máscara de um grande escritor sem nunca tê-lo sido. "É normal as pessoas se sentirem paralisadas quando algo parece ser maior do que elas. Acabam procrastinando porque exigem tanto de si próprias numa tarefa que acabam com medo de enfrentá-la'; afirma o psicoterapeuta e filósofo Ari Rehfeld.

O perfeccionismo exacerbado tem a capacidade de nos fazer desistir ou postergar por um tempo ilimitado nossos afazeres, desejos e intenções. "Dê-se a chance de realizar algo bom e não necessariamente ótimo. Experimente começar a fazer para só depois avaliar. Permitir começar já é um grande passo"; aconselha Rehfeld. Claro que é preciso ter consciência das limitações e habilidades para o que se está disposto, mas se vencermos o que nos paralisa e nos desviarmos das distrações que nós mesmos colocamos todo dia em nossa vida, já teremos meio caminho andado para enfrentar qualquer situação. Nem que seja, como no meu caso ou no de Gould, uma temida página em branco.

INTERNET
Você costuma postergar seus compromissos?
Escreva em nosso fórum: www.revistavidasimples.com.br



Xô, procrastinação

CRIE PRAZOS
Eles são importantes para nos organizarmos mentalmente e termos claro que não podemos enrolar para sempre para fazer as coisas e cumprir os compromissos.

FAÇA LISTAS
Coloque tudo o que você tem ou deseja fazer no papel. Mas seja sincero mesmo: elimine as tarefas que você não planeja realizar nunca, mas vai acumulando.

NÃO MISTURE
Faça listas diferentes para prioridades do trabalho e dos afazeres domésticos, por exemplo. Senão as urgências do trabalho vão sempre ficar em primeiro lugar.

DÊ-SE RECOMPENSAS
Permita ficar meia hora batendo papo para algumas horas seguidas trabalhadas ou prometa-se um presente quando estiver na metade do projeto. Isso ajuda a se esforçar mais.

ABRA O JOGO
Se você acha que não vai dar conta de uma tarefa, seja honesto: fale das suas dificuldades. Mas, se possível, tente faze-la. Você pode se surpreender.

CONCENTRE-SE
A forma mais fácil de procrastinar é se distraindo. Dê atenção às tarefas. E evite telefones, e-mails e tentações da internet.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

#Apóia Twogueder

Ae Twogueder, sou o Mano Twogueder, apresentador do TWOGUEDER HIP HOP SHOW que só não foi ao ar ainda pq o Twogueder Toka foi tirar umas férias na Jamiaca e logo menos ta de volta... mas é dele que quero falar... nosso ilustríssimo Rodrigo Rodrigues Lacerda, vulgo "Toka".

Muleke, nerd´s de informática, percussor da Internet ainda no 286, maluco Beleza, sério na horas vagas, webdesigner, cômico e grande repórter nato desprendido do roteiro da vida.

Não é por acaso que apresentava o programa TNN no twogueder.com AO VIVO e no improviso tá ligado?

Ou se ama, ou sse odeia, ou se ri sem parar ou chora por ouvir uma crítica verdadeira, sem meias palavras, vagabundo por excelência de quem pensa que arte é bagulho, mas arte é alma, e alma só quem tem é criança, pois quando adulto ela é roubada.

A dele não, estava ali sorrindo em sorrisos de pessoas do bem...malandro é malandro, mané é mané tá ligado Twogueder?

Esse era um verdadeiro, Twogeuder Malandro com os homens e e Mané com as Muié. Quem sabe conhece o Romantismo herdado da família Rodrigues, parente do nosso querido Juan... que hj não pode vir que estava de ressaca ao saber do nosso amigo...

Enfim, repórter do programa #SÓPARAINTELIGENTES do Juca Chaves.com.br, era por naturalidade um Palhaço de Rua, ai um novo nome no mercado, uma revelação.

Um dos padrinhos do meu casamento e do meu filho... quero dizer... não... só do casamento, do filho não seria uma boa referência...

...brincadeiras a parte era da brincadeira a parte que ele mais curtia...era e sempre será uma eterna criança do bem, no mundo dos homens...

Valeu a todos pelo apoio até hoje... #ApóiaTwogueder

@twogueder no Twitter e twogueder ponto com novidades em Breve... ou não...

Seu irmão Guzta (EH NOZES)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A Necessidade de Aprovação e Reconhecimento


Por Osho



Querido Osho, Por que sinto necessidade de obter aprovação e de ser reconhecido, especialmente em meu trabalho? Isso me coloca numa armadilha – eu não consigo fazer as coisas sem isso. Eu sei que estou nessa armadilha, mas eu fui pego nela e não vejo como sair.


Você poderia me ajudar a encontrar a porta?
“A questão é do Kendra.


É preciso lembrar que a necessidade de obter aprovação e de ser reconhecido é uma questão que diz respeito a todo mundo. A estrutura de toda a nossa vida é essa que nos foi ensinada: a menos que exista um reconhecimento, nós somos ninguém, nós não temos valor. O trabalho não é o importante, mas sim o reconhecimento.


E isso coloca as coisas de cabeça para baixo. O trabalho deveria ser o importante – uma alegria em si mesmo. Você deveria trabalhar, não para ser reconhecido, mas porque você curte ser criativo, você ama o trabalho em si mesmo.


Existiram poucas pessoas como Vincent Van Gogh, capazes de escapar da armadilha que a sociedade lhes impingiu. Ele continuou pintando – com fome, sem casa, sem agasalhos, sem remédios, doente – mas ele continuou pintando. Nem uma pintura sequer estava sendo vendida, não havia reconhecimento de parte alguma, mas o estranho era que em tais condições ele ainda era feliz – feliz porque era capaz de pintar o que queria pintar. Reconhecido ou não, o seu trabalho era intrinsecamente valioso.


Aos trinta e três anos ele cometeu suicídio – não por causa de alguma miséria ou angústia, mas simplesmente porque ele havia pintado o seu último quadro, um pôr-do-sol, no qual havia trabalhado por quase um ano. Ele tentou dezenas de vezes e destruiu, porque não havia atingido aquele seu padrão. Finalmente ele conseguiu pintar o pôr-do-sol da maneira como desejava.


Ele cometeu suicídio escrevendo uma carta para seu irmão, ‘Eu não estou cometendo suicídio por desespero. Eu estou cometendo suicídio por não mais existir qualquer motivo para continuar vivendo – o meu trabalho está concluído. Além disso, tem sido difícil encontrar alternativas para meu sustento. Até aqui as coisas estavam indo bem, porque eu tinha algum trabalho para fazer, algum potencial dentro de mim precisava se exteriorizar, tinha que florescer. De modo que agora, não há sentido em viver como um mendigo. Eu ainda não tinha pensado e nem mesmo tinha olhado para isso, mas agora essa é a única coisa a ser feita. Eu floresci até o meu limite máximo, eu estou realizado, e agora parece ser apenas uma estupidez ficar me arrastando, procurando alternativas de sustento. Por que razão? Para mim isso não é um suicídio; eu apenas cheguei a uma realização, a um ponto final e alegremente estou deixando o mundo. Alegremente eu vivi e alegremente estou deixando o mundo.’


Agora, após quase um século, cada uma de suas pinturas vale milhões de dólares. Existem apenas duzentas pinturas disponíveis. Ele deve ter pintado milhares, mas elas foram destruídas; e ninguém prestou atenção nelas.


Agora, ter um quadro de Van Gogh significa que você tem um senso estético. O quadro dele traz um reconhecimento para você. O mundo não deu qualquer reconhecimento ao trabalho dele, mas ele nunca se preocupou com isso. E esta deve ser a maneira de ver as coisas: você deve trabalhar se amar aquele trabalho.


Não peça reconhecimento. Se ele vier, aceite-o tranqüilamente; se ele não vier não pense a respeito. A sua realização deve estar no próprio trabalho. E se todos aprendessem esta simples arte de amar o seu trabalho, seja qual ele for, curtindo-o sem pedir por qualquer reconhecimento, nós teríamos um mundo mais belo e mais celebrante. Do jeito que o mundo é, vocês têm estado presos num padrão miserável. O que você faz é bom, não porque você ama fazê-lo, não porque você o faz perfeitamente, mas porque o mundo o reconhece, lhe dá uma premiação, lhe dá medalhas de ouro, prêmios Nobel.


Eles têm tirado todo o valor intrínseco da criatividade e destruído milhões de pessoas – pois você não pode dar prêmios Nobel a milhões de pessoas. E têm criado o desejo por reconhecimento em todo mundo, de modo que ninguém consegue trabalhar em paz, curtindo qualquer coisa que esteja fazendo. E a vida consiste em pequenas coisas. Para as pequenas coisas não existem premiações, nenhum título concedido pelos governos, nenhuma graduação honorária dada pelas universidades.


Um dos grandes poetas do século XX, Rabindranath Tagore, viveu em Bengala, Índia. Ele publicou suas poesias e seus romances em bengali – mas não recebeu qualquer reconhecimento. Então ele traduziu um pequeno livro, GITANJALI, Oferta de Canções, para o inglês. E ele estava consciente de que o original tinha uma beleza que a tradução não tinha e não conseguiria ter – porque essas duas línguas, o bengali e o inglês têm estruturas diferentes, maneiras diferentes de expressar.


O bengali é muito doce. Mesmo se estiver brigando, vai parecer que você está envolvido numa conversação agradável. É uma linguagem muito musical, cada palavra é musical. Essa qualidade não existe no inglês, não pode ser trazida para ele. O inglês tem qualidades diferentes. Mas de alguma maneira ele conseguiu traduzir e a tradução – que é pobre comparada com o original – recebeu o prêmio Nobel. Então, de repente, toda a Índia ficou sabendo. O livro esteve disponível em bengali e em outros idiomas indianos por anos, e ninguém prestava atenção nele.


Todas as universidades quiseram lhe dar um título de Doutor. Calcutá, onde ele vivia, foi a primeira universidade a lhe conceder o título de Doctor of Letters. Ele recusou, dizendo, ‘Vocês não estão dando uma graduação a mim nem estão reconhecendo o meu trabalho, vocês estão dando reconhecimento ao prêmio Nobel, porque o livro esteve aqui de uma forma muito mais bela e ninguém se preocupou em escrever ao menos uma crítica’. Ele recusou-se a receber qualquer doutorado honorário. Ele dizia, ‘Isso é um insulto para mim’.


Jean-Paul Sartre, um dos grandes romancistas e homem de tremendo insight sobre a psicologia humana, recusou o prêmio Nobel. Ele disse, ‘Eu recebi recompensa suficiente enquanto estava criando o meu trabalho. Um prêmio Nobel não consegue acrescentar coisa alguma a isso – ao contrário, ele me joga para baixo. Ele é bom para amadores que estão em busca de reconhecimento, eu já sou bastante velho, eu já desfrutei o suficiente. Eu amei tudo o que fiz.


Essa foi a minha própria recompensa, eu não quero qualquer outra recompensa, porque nada pode ser melhor do que aquilo que eu já recebi.’ E ele estava certo. Mas as pessoas certas são poucas no mundo. O mundo está cheio de pessoas vivendo dentro das armadilhas.


Por que você deve se preocupar com reconhecimento? Preocupação com reconhecimento somente faz sentido se você não ama o seu trabalho, nesse caso ele não tem significado, então o reconhecimento parece ser um substituto. Você detesta o trabalho, não gosta dele, mas você o faz porque será reconhecido, será apreciado e aceito. Ao invés de pensar no reconhecimento, reconsidere o seu trabalho. Você gosta dele? – então ponto final. Se você não gosta, então, troque-o!
Os pais e os professores estão sempre reforçando que você deve ser reconhecido, que deve ser aceito. Esta é uma estratégia muito esperta para manter as pessoas sob controle.


Quando eu cursava a universidade, me disseram repetidas vezes, ‘Você deve parar de fazer essas coisas… Você continua formulando perguntas que sabe perfeitamente bem que não podem ser respondidas e que colocam o professor numa situação embaraçosa. Você tem que parar com isso, caso contrário essas pessoas irão se vingar. Elas têm o poder e poderão reprová-lo.’Eu dizia, ‘Não me preocupo com isso. Neste momento eu estou curtindo formular perguntas e fazê-los sentirem-se ignorantes. Eles não são corajosos o bastante para simplesmente dizer, ‘Eu não sei.’ Desse modo, não haveria qualquer embaraço. Mas eles querem fingir que sabem tudo. Eu estou curtindo isso; a minha inteligência está sendo aguçada. Quem se preocupa com exames? Eles poderão me reprovar apenas quando eu aparecer nos exames – e quem vai aparecer? Se eles estiverem com essa idéia de que podem me reprovar, eu não entrarei nos exames, e repetirei a mesma série. Eles terão que me aprovar pelo simples medo de ter que me encarar por mais um ano novamente.’


Todos eles me aprovaram e me ajudaram a passar porque queriam ficar livres de mim. Aos olhos deles, eu estava destruindo os outros estudantes, porque eles começaram a questionar coisas que, por séculos, eram aceitas sem questionamentos.


Quando eu estava ensinando na universidade, a mesma coisa aconteceu, sob um ângulo diferente. Agora eu estava formulando perguntas aos estudantes para trazer a atenção deles ao fato de que todo o conhecimento que eles tinham acumulado era emprestado e que eles nada sabiam. Eu lhes dizia que não me importava com a graduação deles, eu me importava com a experiência autêntica deles – e eles não tinham nenhuma. Eles estavam simplesmente repetindo os livros, que estavam desatualizados, que já tinha sido provado que estavam errados há muito tempo. Agora as autoridades da universidade estavam ameaçando-me, ‘Se você continuar por esse caminho, atormentando os alunos, você será colocado para fora da universidade.’


Eu disse, ‘Isso é estranho – eu era um estudante e não podia formular perguntas aos professores; agora eu sou um professor e não posso formular perguntas aos estudantes! Então, qual função esta universidade está preenchendo? Este deve ser um lugar onde as perguntas são formuladas, onde os questionamentos começam. As respostas devem ser encontradas na vida e na existência, não nos livros.


Eu disse, ‘Vocês podem me colocar para fora da universidade, mas lembrem-se, estes mesmos estudantes, em nome de quem vocês estão me colocando para fora, irão reduzir a cinzas toda a universidade. Eu disse ao vice-reitor, ‘Você deve vir e ver a minha sala’.


Ele não conseguiu acreditar – na minha sala havia pelo menos duzentos estudantes… E não havia espaço, de modo que eles sentavam em qualquer lugar que encontrassem – nas janelas, no chão. Ele disse, ‘O que está acontecendo, pois tem apenas dez alunos matriculados na sua matéria?’


Eu disse, ‘Essas pessoas vêm para ouvir. Elas abandonam as suas aulas e adoram estar aqui. Esta aula é um diálogo. Eu não sou superior a eles e eu não posso recusar ninguém que queira vir à minha aula. Se ele é meu aluno ou não, não importa, se ele vem me ouvir, então é meu aluno. Na verdade, você deveria me permitir utilizar o auditório. Estas salas de aula são muito pequenas para mim.’


Ele disse, “Auditório? Você quer dizer, toda a universidade reunida no auditório? O que, então, os outros professores estarão fazendo?’


Eu disse, ‘Isso é bom para eles pensarem a respeito. Eles deveriam ir embora e se enforcar! Eles deveriam ter feito isso há muito tempo. Ao ver que seus alunos não estavam indo assistir suas aulas, isso já era uma indicação suficiente.’


Os professores ficaram com raiva e as autoridades também. Finalmente eles tiveram que me ceder o auditório, mas com muita relutância, porque os alunos ficaram pressionando. Mas eles disseram, ‘Isto é estranho, alunos que nada têm a ver com filosofia, religião ou psicologia, por que eles devem estar indo lá?’


Muitos alunos disseram ao vice-reitor, ‘Nós gostamos disso. Não sabíamos que filosofia, religião e psicologia poderiam ser tão interessantes, tão intrigantes, senão já teríamos nos inscrito nelas. Nós pensávamos que essas matérias eram secas e que somente um tipo de pessoas muito ligado a livros se inscreveria nelas. Nós nunca tínhamos visto pessoas com muita energia se inscrevendo nessas matérias. Mas esse homem fez com que essas matérias ficassem tão significantes que parece que mesmo se formos reprovados em nossas próprias matérias, isso não vai importar. O que nós estamos fazendo está tão correto e está tão claro para nós, que nem pensamos em mudar isso.’


Contra o reconhecimento, contra a aceitação, contra as graduações… Mas, finalmente eu tive que deixar a universidade, não por causa de suas ameaças, mas porque eu reconheci que aquilo era um desperdício, pois milhares de estudantes poderiam ser ajudados por mim. Eu poderia ajudar milhões de pessoas do lado de fora, no mundo. Por que eu deveria permanecer apegado a uma pequena universidade? O mundo inteiro poderia ser a minha universidade.


E você pode ver. Eu fui condenado.
Esse foi o único reconhecimento que eu recebi.


Eu fui descrito de maneira totalmente incorreta. Tudo o que pode ser dito contra uma pessoa, foi dito contra mim; tudo o que pode ser feito contra um homem foi feito contra mim. Você acha que isso é reconhecimento? Mas eu amo o meu trabalho. Eu o amo tanto que nem mesmo o chamo de trabalho; eu simplesmente o chamo de minha alegria.


E todas as pessoas mais velhas, bem reconhecidas, me diziam, ‘O que você está fazendo não irá lhe trazer qualquer respeitabilidade no mundo.’
Mas eu dizia, ‘Eu nunca pedi por isso e não vejo o que poderei fazer com a respeitabilidade. Eu não posso comê-la nem bebê-la.’


Aprenda uma coisa básica. Faça o que você quer fazer, o que ama fazer, e nunca peça por reconhecimento. Isso é mendicância. Por que alguém deve pedir por reconhecimento? Por que alguém deve ansiar por aceitação?


Olhe no fundo de si mesmo. Talvez você não goste do que está fazendo, talvez você tenha medo de encarar que está no caminho errado. A aceitação irá ajudá-lo a achar que está certo. O reconhecimento irá fazê-lo achar que está indo para o objetivo correto.


A questão diz respeito aos seus próprios sentimentos internos, ela nada tem a ver com o mundo externo. Por que depender dos outros? Todas essas coisas dependem dos outros – você está se tornando dependente.


Eu não aceitarei qualquer prêmio Nobel. Toda essa condenação de todas as nações ao redor do mundo, de todas as religiões, é mais valiosa para mim. Aceitar o prêmio Nobel significa que eu estou me tornando dependente – agora eu não estarei mais satisfeito comigo mesmo, mas sim com o prêmio Nobel. Neste exato momento eu só posso estar satisfeito comigo mesmo, nada mais existe com que eu possa me satisfazer.


Dessa maneira você se torna um indivíduo. Para ser um indivíduo, viva em total liberdade, apoiado em seus próprios pés, beba a sua própria fonte. Isso é o que torna um homem verdadeiramente centrado, enraizado. Este é o início do seu florescimento supremo.


Essas pessoas tidas como reconhecidas, honradas, estão cheias de lixo e de nada mais. Mas elas estão cheias do lixo que a sociedade quer que elas estejam repletas – e a sociedade as compensa lhes dando premiações.


Qualquer homem, que tem algum senso de sua individualidade, vive pelo seu próprio amor, pelo seu próprio trabalho, sem se preocupar com o que os outros pensam a respeito. Quanto mais valioso for o seu trabalho, menor será a chance de obter alguma respeitabilidade para com ele. E se o seu trabalho for o trabalho de um gênio, então você não verá nenhum respeito enquanto viver. Você será condenado enquanto viver… Depois de dois ou três séculos, erguerão estátuas para você, os seus livros serão respeitados – porque demora quase dois ou três séculos para a humanidade compreender o tamanho da inteligência que um gênio tem hoje. O espaço de tempo é grande.


Sendo respeitado por idiotas, você terá que se comportar de acordo com suas maneiras e expectativas. Para ser respeitado por essa humanidade doente, você terá que ser mais doente que ela. Então eles irão respeitá-lo. Mas, o que você irá ganhar? Você perderá a sua alma e nada ganhará.“

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Adultos: já para a brincadeira!




Para conservar a curiosidade, a imaginação e a transgressão, é importante brincar sempre.

Alguns mitos precisam ser derrubados. Um deles é que a infância termina quando ficamos grandes. Quem pensa assim considera que infância é apenas uma fase da vida, um ciclo biológico durante o qual o corpo cresce aceleradamente e importantes mudanças fisiológicas acontecem. Mas há quem ache que infância é mais que isso, é um estado de espírito, cheio de qualidades que promovem o desenvolvimento da alma. Ao pensar dessa forma, aceitam que ela não termina quando começa a idade adulta; ao contrário, persiste por toda a vida. Estou nesse grupo.

Há pelo menos três qualidades na criança, necessárias para permitir sua interação com mundo: a curiosidade, a imaginação e a transgressão criativa. A primeira serve para que ela acelere o processo de percepção e entendimento do mundo; a segunda, para que ela crie, em sua cabecinha, o mundo que ela deseja, sem as mazelas que ela vai percebendo que existem; e a terceira, para que ela ouse modificá-lo para dar lugar a esse mundo ideal.

Sem essas três características humanas, que nascem conosco, provavelmente ainda estaríamos na Idade da Pedra. Foram elas que promoveram a evolução, o desenvolvimento, todo o conjunto de coisas que inventamos ao longo de todos esses séculos. Pois bem, essas qualidades são in­fantis, primárias, precoces, mas podem perdurar pela vida, conservando, no adulto, um jeito de criança.

O problema é que nós teimamos em acabar com essas qualidades quando crescemos, porque alguém - pro­vavelmente um grande chato - disse que elas não combinam com ser sério e responsável. Ora, o que seria dos inventores, dos artistas, dos poetas, dos cientistas e dos grandes promotores de mudanças se eles não tivessem conservado em si a curiosidade, a imaginação e a transgressão? Aliás, foi Eins­tein quem disse que a imaginação é mais importante que o conhecimento. E depois foi tirar aquela foto de língua para fora, brincando com o fotógrafo e com o mundo.

Então, o adulto pode continuar a brincar sem parecer ridículo? Estou escrevendo este artigo nos Estados Unidos, aonde vim para uni curto período de estudo e, claro, diversão. Aqui eles têm um ditado curioso a esse respeito. Dizem: "The difference between men and boys is the price of the toys" (a diferença entre homens e meninos é o preço dos brinquedos).

Eu sei, trata-se de uma frase com forte apelo consumista e de gosto duvidoso, mas mostra como funciona a cabeça desse povo, que desenvolveu a maior indústria de entretenimento do mundo, além de dar uma pista da essência do ser humano.

Por acaso, uma das pessoas a quem vim conhecer foi o Dr. Elkhonon Goldberg. Trata-se de um neurocientista de origem russa, pesquisador na Universidade de Nova York e autor de vários livros, entre eles O Paradoxo da Sabedoria, em que ele mostra que a mente pode manter-se lúcida e ativa apesar do envelhecimento do cérebro. Uma das condições, ele insiste, é manter-se capaz de brincar, especialmente consigo mesmo.

Quando cheguei a seu gabinete, o Dr. Goldberg abriu a porta e foi logo me perguntando se eu me incomodava com a presença de animais. Eu respondi que não, que gostava muito, que tinha duas cachorras e uma gata em casa. Ele então me fez entrar e eu pude ver em cima do sofá um imenso mastim napolitano que atendia pelo nome de Britt. Quer dizer, atendia em termos, porque demorou a ser convencido a ceder o sofá para a visita. Dr. Goldberg é uma pessoa bem-humorada. Brinca o tempo todo, de um jeito que, para os mais sisudos, talvez pareça não combinar com um cientista de renome mundial. Mas ele é assim, e em minutos eu já estava totalmente à vontade.

Ao longo da conversa, entramos no assunto da importância dos estímulos ambientais para o desenvolvimento do cérebro, e foi quando ele conseguiu me surpreender ainda mais. Esticou o braço e pegou da estante um livro em russo, escrito no começo do século passado, em que o autor já se referia a esse tema. Era um original de Lev Vigotsky, um dos maiores pensadores em educação que o mundo já produziu. E, para encanto meu, havia nele uma dedicatória de sua viúva, que o presenteou diretamente ao nosso doutor.

Vigotsky diz que o processo de brincar não torna o brinquedo um mero utensílio de distração, mas um gerador de situações imaginárias. Ele aponta em seu livro A Formação Social da Mente que toda brincadeira, por mais livre e espontânea que pareça, é regida por regras "ocultas" : A principal delas é que a criança quando brinca está sendo totalmente espontânea, pois está brincando de ser ela própria, ou seja, ela brinca de ser criança. Mesmo que, em sua brincadeira, ela esteja imitando um adulto - um piloto ou um bombeiro, por exemplo -, ela está brincando de criança que imita o adulto.

Assim, o psicólogo russo concluiu que a brincadeira é o caminho fundamental para o desenvolvimento da mente humana, pois se trata de uma idealização da realidade, a partir da qual a criança começa a sentir-se parte do mundo, exercendo, inclusive, o poder de modificá-lo. Manter-se capaz de brincar pela vida afora é manter a capacidade de interagir com a realidade da melhor forma, com humor, imaginação e alegria.

Brincar ajuda a aprender? Fragmentar a diversão como objeto de estudo é algo tão intrincado quanto completar um quebra-cabe­ça com mais de 1000 peças, mas também não é algo tão difícil quanto ganhar superpoderes para salvar o mundo do mal. A primeira peça é a que mostra que é só na alegria que a criança se coloca inteira. É fácil deduzir que, se ela considerar o ato de aprender uma brincadeira, isso au­mentará em várias vezes sua capacidade de se concentrar. Portanto, brincar ajuda a aprender.

Quem explica isso é a biologia. O biólogo evolucionista Marc Bekoff, da Universidade do Colorado, descobriu, ao comparar o cérebro humano com o de outros mamíferos, que há, entre eles, muitas semelhanças. Uma delas é a produção do neu­rotransmissor dopamina, responsável pela sensação de alegria e que também ajuda na construção de novas possibilidades. Em outras palavras, estimula o aprendizado.

"Brincar leva a uma flexibilidade mental e a um vocabulário comportamental mais amplo que auxilia o animal a obter sucesso no que im­porta: dominância do grupo, seleção de companheiros, prevenção de captura e busca por alimento", disse Bekoff. Dessa forma, ser humano e bicho funcionam de forma similar: ambos criam crescentes conexões nervosas ao longo da brincadeira, e estas ajudam a formar uma cabeça mais ágil e aberta ao novo.

E há mais gente que, sem querer querendo, está metendo sua colher de pau nesse angu. Gilles Brougèr, por exemplo, é um especialista em jogos e brinquedos. Ele coloca uma pitada de semiótica na discussão ao afirmar que as brincadeiras têm significado antropológico, e que não são simples passatempos. "O brinquedo é um dos reveladores de nossa cultura", diz ele. E insiste que, ao brincar, estamos revelando o jeito de ser de nosso grupo humano.Então o brinquedo não está à sombra da sociedade, ele revela a identida­de social da criança e, como consequência, do adulto que ela virá a ser. O brinquedo é o pensamento vigente em forma de objetos de plástico. Como se vê, não dá para parar de brincar; a humanidade perderia uma ótima opor­tunidade de entender a si mesma.

E em casa? É saudável um casal manter as brincadeiras entre si e com os filhos? E como. Desde a Grécia, os antigos - e sapientíssimos - habitantes já usavam o ato lúdico para criar e curar. Arquimedes já citava que "brincar é a condição fundamental para ser sé­rio"; os atenienses concediam peças musicais, teatros e espetáculos de comédia aos doentes; no século 16, os médicos já diagnosticavam o entretimento como o melhor medicamento para todos os males: "A alegria dilata e aquece o organismo, já a tristeza contrai e esfria o corpo".

Enfim, se você, adulto ciente e responsável, ainda não desatou a brincar, é porque ainda lhe falta maturidade. Deixar-se levar pela imaginação, não tenha medo de ir contra a maré da "adultice", de dar risada de si mesmo, abraçar a espontaneidade, correr, gritar, pular, usar o siso so­mente quando necessário e abusar - e muito - do riso.

Com relação aos baixinhos em casa, não tente transformá-los em miniadultos. Cursar novas línguas pode fazer bem à mente. Praticar es­portes pode estimular o corpo. Apren­der a tocar violoncelo pode lavar a alma. Mas desde quando rechear o dia do seu filho com tantas atividades é sinônimo de qualidade? Celular, computador, agenda cheia. Quando ele tem tempo para brincar sem estar preso à grade de horário?

É difícil conciliar estudo e diversão em tempos em que escolas priorizam formar cidadãos mais "competentes para o mercado de trabalho" que "aptos para a vida". Contudo, é bom ressaltar que aprender e brincar se complementam. Divertir-se estimula a criatividade e abre novos caminhos ao aprendizado.

Não tenha pressa em tornar seu pimpolho um pequeno sisudo. Ele irá adquirir competências de gente grande de um jeito ou de outro, cada coisa a seu tempo. E deixe que ele fa­ça você se lembrar de sua infância, de um tempo passado que pode con­tinuar ainda hoje - se você quiser -, assim você aprenderá que a infância não precisa morrer nunca.

Num cemitério do Rio de Janeiro há um túmulo diferente. Nele, uma lápide revela o espírito de quem ali repousa. Diz: "Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino". A frase foi escolhida pelo próprio escritor mineiro para imortalizar seu maior valor - a maravi­lhosa capacidade de brincar.
Autor: Eugenio Mussak Fonte: Revista – vida simples

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Dia da Infância?






A EDUCAÇÃO e CULTURA PRECISAM MUDAR ISSO...De acordo com a Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância, 62 milhões de brasileiros têm menos de 18 anos. As crianças são especialmente vulneráveis às violações dos direitos, à pobreza e à iniqüidade no País.O índice de pobreza infantil é de 44% no Brasil, passando a 78% entre as crianças negras. Mais de 70% das crianças pobres nunca foram à escola durante a primeira infância. Há 800 mil crianças de 7 a 14 anos fora da escola.De cada 100 alunos que entram no ensino fundamental, apenas 59 terminam a 8ª série e, destes, somente 40 concluem o ensino médio. A evasão escolar e a falta às aulas ocorrem por diferentes razões, incluindo violência e gravidez na adolescência.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Homenagem à um Músico, Mecânico e por fim, um Contador.




Sem muita inspiração mas por pura homenagem, retiro palavras da alma em dia da morte de meu querido avô, nesse dia 18 de agosto de 2009.

Escrevo por amor e respeito, à um músico, um mecânico e por fim, um contador.

Bem novo já tocava violino na Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, por preconceito da década, deixou de lado o sonho musical para se doar a outra paixão, que era a mecânica. Essa que virou hobby, pois também por limitação visionária de tal época, a Contabilidade se deu por formação.

Um Músico, Mecânico e por fim, um Contador. Um pai de 06 filhos, 05 mulheres e 01 homem, meu pai. De netos incontáveis, família Católica, espírito cardecista, alma universal.

Pelo universo sonhava voar, conhecer Marte, à E.T´s dar um olá... Pois dará, ah se dará! Mande um beijo a belíssima Iemanjá e também um forte abraço ao mestre de lá. Que os anjos acolhem-te em um belo lugar, tranquilo, sossegado, um canto que calado vai se renovar.

Observará como é bom ouvir novamente o canto dos pássaros e poder se arrepiar, com notas tão claras e perfeitas como as de um violino em uma Orquestra.

Solidão nos resta se não soubermos voar, à Marte, sair dum pouco de casa, da Terra, quem dera um dia eu lhe encontrar. Mais novo, mais farto, vai vasto de amor e de pensar, que a vida é passageira, ensina e nos faz valorizar. Cada sorriso seu, cada segundo do seu olhar.

Olhar profundo parecido com o meu, de mesmo signo que sabe comunicar. Quando o coração canta melodias de amor, a paz volta a reinar, entao meu avô, aproveita a festa no céu e volte pra me contar.


Oswaldo Fernandes, que com a graça de Deus, estarás em boas e abençoadas mãos.

Te amo.
Luz e Paz.



Por Guzta Sáfer


"Vamos cuidar de nossa vida. A morte nos espreita, aguarda-nos. Não sinistra e temerosa. Mas nos leva sorrateira a uma viagem amorosa pelo passado e pelo futuro. Fale comigo agora. Hoje. Amanhã pode não vir. Cuide, inclua, compreenda, ajude, transforme. Já. Não há outro dia."

Monja Coen