segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

URGENTE! ADOÇÃO CANINA




URGENTE! ADOÇÃO CANINA

Esse cachorro da foto é o Nicola. Ele foi pego das ruas por uma aluna de veterinária que jogou ele na casa de uma "protetora" maluca. O cachorro aparentemento não tinha nada, e sim como é comum escabiose. Então ele foi colocado dentro de um apartamento, imaginem um cão super ativo, do tamanho de um Boder Collie, preso dentro de uma apartamento, sem condições de higiene, no meio de outros 20 e poucos animais, sem passear, sem ver o sol, sem uma alimentação adequada e tudo mais..! Até aí tudo certo, mesmo nessas péssimas condições, ele tinha um lar! Essa menina que tirou ele da rua, simplesmente jogou dentro do apartamento da "protetora" e não se responsabilizou por nada, nem ração, nem vacina, nem vermífugo, nem tentar ajudar doar.

Faz mais de 1 mês que essa pseudo-protetora sumiu do mapa, levou seus 20 gatos pra abrigos, levou uma cachorra pequena com ela, e deu uma outra pra um amigo. Sobraram os dois cães grandes, o Valente que foi doado para minha amiga Debee, que está felizão em uma casa, e o nosso querido Nicola, que está em um Hotelzinho, sendo tratado da sarna, e engordando pq ele estava pele e osso, e pêlo (bem feio por sinal, não tão bonito quanto da foto que já é antiga). Os custos com hotelzinho são complicados, já que eu tenho outros animais, e a Carol tb. Inicialmente ele ficará 1 mês lá, sendo que tivemos um desconto imenso da hospedagem. Mas são 70 reais por semana de hospedagem, fora a ração e os banhos. Infelizmente não fiquei milionária ainda pra cuidar de todos os animais, enfim... mas a gente faz o que pode!!!

A dona do hotel, diz que o Nicola chora o tempo todo, pois não suportar estar preso, por isso eu peço que repassem esse e-mail se não tiverem espaço pra adota-lo e nem condições! Quero arrumar um bom lar pra ele, mas só entragarei castrado e curado 100% da sarna, ele é um cachorro que adora correr, brincar, por isso precisa morar em uma casa, sitio ou fazenda. Ele não se dá muito bem com outros machos, mas não sei se isso está relacionado com o fato dele sempre ter de brigar por comida, viver em condições estressantes, e pelo fato de não estar castrado ainda...!! Se dá muito bem com fêmeas. Nem preciso dizer sobre a beleza desse cachorro, é só olhar as fotos! Qualquer ajudar é bem vinda, em relação aos custos dele, e principalmente em relação a adoção, que pra mim é o mais importante...!!!

Me ajudem a encontrar um lar digno pro Nicola, ele merece ...!!!!

Mais informãções: aninhasaf@hotmail.com ou guztasafer@gmail.com
Tamo junto em busca da paz pra todos!!!
Abraços!
NAMASTÊ

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"Da Origem ao Fim do Câncer".

Por Tchezar




Hoje estou aqui para falar de um assunto sério abordado no documentário produzido por Daniel Kovacsik, "Da Origem Ao Fim do Câncer" , onde ele conta um pouco da história de seu bisavô, Estevan Kovacsik, um cientista autodidata que há mais de meio século, através da radioestesia, descobriu a origem e como surgia o câncer nas pessoas.

Estevan Kovacsik dedicou toda sua vida as pesquisas e além de entender o processo do surgimento da doença, descobriu uma maneira de isolar o problema, prevenindo e também curando o câncer das pessoas.Lutou durante anos para conseguir o reconhecimento científico do seu batizado de Método Kovacsik, na intenção de ajudar as pessoas de todo o mundo a lutar contra um problema que vem crescendo a cada ano, sempre com muita dignidade, sem cobrar 1 centavo de ninguém. Sua família agora continua essa batalha para divulgar esse trabalho lutando contra a censura e contra a indústria que parece conspirar contra este método que pode mudar a vida de muita gente.Nesse momento você deve estar pensando:

"Que isso! Isso é loucura! Impossível".


Realmente, parece algo impossível. Como um simples cidadão conseguiu descobrir algo que cientistas do mundo todo nunca conseguiram?Pois podem acreditar. A cura do câncer já existe, aqui em São Paulo.


Para quem quiser conhecer um pouco mais, assista aqui o trailer oficial do documentário:

"Da Origem ao Fim do Câncer".

Confira o Trailler:

Mais detalhes:

Matéria retirada do Blog:


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

As Transformações Começam Conosco








Por Monja Coen



Há um antigo ditado japonês:"Se houver relacionamento, faço; se não houver relacionamento, saio". Um Mestre Zen, no final do século passado, fez a seguinte alteração:"Havendo relacionamento, faço; não havendo, crio relacionamento".
Essa mudança de paradigma é extremamente importante. Devemos também lembrar que criar um relacionamento não significa, necessariamente, obter resultados imediatos, embora muitas vezes estes ocorram.


Novos relacionamentos em padrões antigos perdem seu significado. Precisamos criar relacionamentos a partir de novas maneiras de nos relacionar, de ver o mundo, de ser, de inter ser. Essa nova maneira pode, inclusive, recarregar de energia positiva antigos relacionamentos.


Para descobrirmos novas maneiras precisamos, primeiramente desenvolver a capacidade de perceber como estão nossos relacionamentos atuais.


Observe e considere meticulosamente a si mesmo. Perceba como está se relacionando em casa, na rua, no trabalho, no lazer. Perceba como respira, como anda, como toca nos objetos, como usa sua voz, como são seus gestos e como são seus pensamentos e os não pensamentos. Esse observar não deve ser limitante, constrangedor, confinador. Apenas observe. Como você se relaciona com o meio ambiente, biodiversidade, reciclagem, justiça social, melhor qualidade de vida, guerras, violência, terror, paz, harmonia, respeito, garantia dos Direitos Humanos? Como você e o seu logos se relacionam entre si e em relação aos projetos de sucesso, de lucro, de desenvolvimento e progresso de sua organização?


Como está se relacionando com o mais íntimo de si mesmo, com a essência da Vida, com o Sagrado?


Será que é capaz de ver, ouvir, sentir e perceber a rede de inter relacionamentos de que é feita a vida? Percebe e leva em consideração, na tomada de decisões, a interdependência?


Tanto individualmente, como no coletivo, nossa participação e compreensão como estão? Será que estamos conscientemente vivendo nossas vidas e direcionando nossos pensamentos, ações e palavras para o sentido de mudança que queremos e sonhamos?


Mahatma Gandhi disse: "Temos de ser a transformação que queremos no mundo".


Geralmente pensamos no mundo como alguma coisa distante e separada de nós, mas nós somos a vida do universo em constante movimento. Podemos até dizer que o mundo somos nós. Nossa vida forma o mundo, é o mundo, não apenas está no mundo. Inclui todas as formas de vida e seus derivados e nos inclui neste instante, instante após instante. Há um monge chinês do século VII, Gensha Shibi , que dizia : "O Universo é uma jóia arredondada. Somos a vida desse universo em constante transformação. Nada vem de fora, nada sai para fora".


De momento a momento tudo está mudando, nós fazemos parte dessa mudança e podemos escolher, discernir qual o caminho que queremos dar a esse constante transformar. É por isso que digo que a transformação começa em nós. Na verdade vai além de apenas começar. É em nós. Nossa capacidade humana de inteligência e compreensão nos permite fazer escolhas. E o que estamos escolhendo?


Outra frase de Mahatma Gandhi: "Quando uma pessoa dá um passo em direção à Paz, toda a humanidade avança um passo em direção à Paz"
A minha decisão, a sua decisão pode transformar ou influenciar a direção da mudança.


Há um sutra budista que descreve o mundo como uma rede de inter relacionamentos. Como se fosse uma imensa teia de raios luminosos e em cada intersecção uma jóia capaz de receber essa luz e emitir raios em todas as direções. Qualquer pequena mudança afeta o todo. Cada ser que se transforme em um ser de paz, de harmonia, de ternura, carinho e respeito pela vida em todas as suas formas estará sendo uma mudança viva e influenciando tudo e todos.


Qual o primeiro passo? Conhecer a si mesmo. Conhecer nossos mecanismos.
O que nos afeta, nos incomoda? O que nos alegra? O que nos irrita? Como transformar a raiva em compaixão? Como transformar o desafio em competição leal, justa, empreendedora, enriquecedora? Sem nos preocuparmos com os créditos, se formos capazes de fazer o bem, não fazer o mal, fazer o bem aos outros estaremos transformando nossos lares, nossas amizades, nosso ambiente de trabalho, nossas organizações, nossas cidades, estados, países, nações, mundo... e a nós mesmos...no florescimento da Cultura da Paz.


"Estudar o Caminho de Buda é estudar a si mesmo. Estudar a si mesmo é esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo é ser iluminado por tudo que existe. Transcender corpo e mente seu e dos outros. Nenhum traço de iluminação permanece e a Iluminação é colocada à disposição de todos os seres." (Mestre Zen Eihei Dogen - 1200-1253)


É importantíssimo que iniciemos este "estudar a si mesmo", já. Cada um de nós que perceber seu próprio mecanismo ficará em controle desse mecanismo e não mais à mercê de seus sentimentos e emoções, desejos e frustrações, puxado, empurrado, espremido e puxando, empurrando, espremendo - envenenados pela ganância, raiva e ignorância.


Imagine um mundo aonde podemos brilhar uns para os outros, sem ódios, mas com carinhoso respeito e terna compreensão. Percebendo nossas diferenças, aceitando a diversidade da vida e juntando nossas capacidades tanto intelectuais como físicas na construção desse verdadeiro Céu, Paraíso, Terra Pura, Shambala de que falam as religiões, todas elas.


Cabe a nós, a cada um de nós criar esse relacionamento de carinho com a vida, de ternura com todos os seres, de compreensão, de sabedoria e compaixão para percebermos o Caminho Iluminado e o Nirvana permeando toda a existência.


Isso é dar vida à nossa própria vida.
* * *


Haverá explicação e prática da meditação sentada e caminhando, exercícios de plena atenção, momentos de pausa e de reflexão a fim de desenvolver a percepção de si mesmo, do outro e do meio ambiente, de como agimos, reagimos atualmente - nosso relacionamentos - e do que seria conveniente fazer para ocorrer mudanças (caso as considerem necessárias) ou direcionar transformações individuais e coletivas.


terça-feira, 20 de outubro de 2009

NORMOSE (a doença de ser normal)

Todo mundo quer se encaixar num padrão.

Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar.

O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido.

Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema.

Quem não se "normaliza", quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo.

A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.

A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós?

Quem são esses ditadores de comportamento que "exercem" tanto poder sobre nossas vidas?

Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados.

A normose não é brincadeira.

Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer ser o que não se precisa ser.

Você precisa de quantos pares de sapato?
Comparecer em quantas festas por mês?
Pesar quantos quilos até o verão chegar?
Então, como aliviar os sintomas desta doença?
Um pouco de auto-estima basta.

Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo.

Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante.

O normal de cada um tem que ser original.
Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros.
É fraude.
E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.
Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais e tentam viver de forma mais íntegra, simples e sincera.
Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações.

Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo.
E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada.
A normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.

(Michel Schimidt - Psicoterapeuta.)

retirado de: http://www.marcosprem.com.br

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Do caos à lama, da lama ao céu.



Por Guzta Sáfer



O Caos está próximo!


Precisamos nos conectar através da meditação, uma conexão diária e direta com nosso "eu” em situação calma e solitária.


Apegarmos-nos ao amor sutil e inusitado.


Desapegarmos da matéria aos poucos, porém antes do desapego conquistá-la de forma que nosso corpo não se esgote, esgotamento esse que não será atingido se estivermos em constante relação com nosso plano sutil em desenvolvimento.


Nada é fácil, coisas simples são sempre simples em teoria,
sem disciplina de prática, não há resultado eficaz.


A prática traz a naturalidade de vivência, que cada vez mais
será aprimorada, abrindo espaços para criações e desenvolvimentos leves
para ocorrência de fluidez em todos os sentidos, não havendo assim
esgotamento físico nem energético.


O importante de tudo isso é que através desse caminho seguido, estaremos
preparados para o acontecimento do CAOS.


Caos esse trazido pela força dos mares, dos movimentos desconhecidos dos
ventos e do calor nunca visto pelo Fogo.


Porém o pânico será presenciado de perto pelos que hoje estão longe da atmosfera das divindades, dos sentimentos de paz da alma, da essência chamada mônada, do grande e precioso trabalho de conexão interna com seu próprio Deus. Pois os que desde já assim a fazem, se encontrarão protegidos por divindades jamais vistas pelos humanos.




Divindades essas que em meio ao caos usarão da força e prática da lei da MATERIALIZAÇÃO para dar o suporte necessário aos humanos presentes.
Haverá a materialização de alimentos, objetos e todo tipo de ferramenta que ajudará os humanos a reparação e reconstrução da Terra.


Para isso desde já, nos preocupemos com a conexão, conexão que automaticamente e involuntariamente nos trará uma benção, uma dádiva de esperança e continuidade para o nível de evolução preciso para atuarmos juntos com tais divindades existentes hoje em planos desconhecidos por nós.


O que há de ser feito então, é ter o sentimento de amor e redenção a todas e quaisquer formas de essências trazidas pelo cosmo para nossa ajuda, estas que a princípio partem de nós mesmos, através de uma reprogramação cerebral, acima do corpo mental, corpo mental esse, que não nos deixa sentir, somente pensar e agir com a razão, nos colocando limitações desconhecidas pela alma, pela chamada Mônada, que acarretam no nosso total distanciamento dessa conexão.


Nossa Mônada, parte nossa além do corpo e da alma, parte nossa tomada como essência que ninguém pode nos tirar ou banir da existência de qualquer plano ou dimensão, será constantemente trabalhada desde já através da prática.


Sinta, se dê o prazer de reconhecer-se como tal ser, capaz de evoluir e se desprender de qualquer forma involutiva.


Sua mônada, seu Deus, lhe agradecerá.



*Inspirada em Palestra do filósofo espiritualista Trigueirinho, ocorrida dia 20 de outubro de 2008 no Memorial da América Latina.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Entrevista com a Monja Coen sobre morte e luto




Por Monja Coen

1) Por que se tem tanto medo da morte?
Quem tem tanto medo da morte?
O que é a morte? Onde começa o morrer, não seria ao nascer?

2) Como se preparar para a morte (a nossa) e de alguém próximo?
Como nos preparar para a vida. A nossa e a de alguém próximo de nós. A vida nos prepara a viver. A morte nos prepara a morrer. Tudo está em constante transformação.
Sem um só instante de pausa. Vida-morte manifestando-se não como opostos.

3) Como superar a dor de perder alguém querido?
Através da memória correta. Da meditação correta, Do ponto de vista correto. Da fala correta. Da ação correta. Da concentração correta. Da vida correta. Do samadhi correto.

Tudo é passageiro, transitório. Sofremos a perda. E perdemos o sofrimento também.

Precisamos nos refazer. Refazer a teia de relacionamentos que fica fracionada com a morte de alguém próximo. Saber que um pouco de nós morre com nossos amigos e parentes e que um tanto grande de quem morreu vive em nós. Como dar vida a vida em nossas vidas?



4) O tempo é o melhor remédio?
Somos o tempo. Não é remédio o tempo. O remédio é a sabedoria suprema. A compreensão da transitoriedade. A aceitação da vida-morte como um processo de causas-condições-efeitos. E todos somos essa teia de interrelacionamentos.
Não podemos apenas ficar nos lamentando pelo que perdemos, centrados em nosso ego. É preciso orar pelos que se vão. Agradecer suas vidas, seus momentos conosco e libertá-los de nossos apegos.

5) Qual é o medo maior de morrer ou de perder alguém?
Depende de cada um. O essencial é conhecer o medo. O qeu é medo? Como se manifesta em nosso corpo? Como ficam nossos músculos, nossa respiração, batimento cardíaco? Então reconhecemos o medo e não somos mais controlados pelo medo. Ninguém quer perder um filho, uma filha, uma criança. Quantos pais não entregam suas vidas para manter a de seus filhos? Talvez nosso instinto de preservação da espécie seja mais forte - em manter as vidas sucessivas invés de primeiro pensarmos nas nossas. Mas nem todos são assim. E isso não são pensamentos de valores - quem é melhro, quem é pior. Apenas somos o que somos. E somos processos em transformação.

6) É possível ser feliz depois da morte de alguém muito querido?
Sempre é possível ser feliz. A felicidade está em nós. Uma capacidade de contentamento mesmo nas maiores dificuldades, dores, perdas. Reconhecemos o processo vida-morte em ação. É o nosso processo. E todos vamos morrer, assim como todos nossos ancestrais morreram. Faz parte da natureza humana. Não apagamos a memória. Não substituimos a pessoa por outra. mas continuamos nossa jornada, levando em nosso ser a marca da dor, mas não o peso, o trauma, a incapacidade de viver. Somos a vida. Somos a morte. Estamos todos interrelacionados. Intersomos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Amanhã eu faço...

Por Rafael Tonon

Adiar tarefas, planos e sonhos é muito mais comum do que se pensa.

Mas pode ser muito mais custoso também. Quer saber por quê? Então não deixe para depois e leia esta reportagem agora!

Faz uns 40 minutos que eu liguei o computador e abri um novo documento no Word na tentativa de começar a escrever este texto. Mas, antes de sentar aqui, na minha mesa, enfrentar a temida página em branco e começar a digitar estas letras, fui à cozinha preparar um café para ficar mais concentrado. Aproveitei para roubar uma bolacha do pote de vidro de cima da pia e puxei um assunto qualquer com a Cris, a moça que trabalha em casa. Na volta para o meu quarto, já com a xícara de café na mão, passei pela sala e espiei as manchetes do jor­nal que estava em cima da mesa. Não hesitei: puxei a cadeira e fiquei ali, lendo as notícias do dia. Quando voltei ao computador, abri logo meu correio eletrônico, dei um "enviar e receber" nos meus e-mails e acabei me distraindo ao responder às mensagens que chegaram. Depois que eu terminei, fui lembrar do arquivo à espera do meu texto... "Chega de protelar"; pensei. "É hora de trabalhar."

Mas se a procrastinação pode causar tantos danos, por que, afinal, deixamos para amanhã o que devemos ou podemos fazer hoje?

Aposto que você, quando pegou a revista para ler, também deixou algumas tarefas para segundo plano: lavar a louça acumulada na pia (sempre ela), dar um telefonema, guardar no armário a roupa passada (ou colocar para lavar a roupa suja)... Enfim, algo deve ter ficado para mais tarde - ou para amanhã, dependendo da intensidade da sua falta de vontade de realizar determinadas coisas. Toda hora, temos que decidir o que fazer. E, para cada coisa que fazemos, há uma relação de coisas não feitas. E isso é bem comum, principalmente nos dias atuais, em que as tarefas parecem se multiplicar nas nossas agendas. Tão comum, aliás, que existe até um termo criado para explicar esse comportamento demasiado humano: procrastinação, que, do latim, significa "postergar, atrasar, demorar, adiar, delongar"

A psicologia moderna já descobriu que 80% das pessoas procrastinam com certa frequência (se computarmos as que procrastinam de vez em quando, o número certamente sobe para 99,9%). O que nos leva a concluir que o nível de popularidade dessa tendência comportamental está mais em alta que a de muitos políticos por aí. Isso porque a procrastinação está presente em todas as áreas da nossa vida, do trabalho às questões pessoais. Procrastinamos a dieta, a arrumação dos armários, o check-up médico, o envio daquela cotação a um cliente, a entrega da declaração do Imposto de Renda. (Esse último item, aliás, vale um parêntese: este ano, a Receita Federal deu dois meses para receber as declarações dos contribuintes. A dez dias do prazo final, nem metade dos brasileiros que precisam declarar seus bens tinha enviado o documento ao governo. Sim, nós deixamos mesmo as coisas para a última hora.)



Estamos nessa
Ou seja, postergar nossos afazeres é bem mais normal do que poderíamos supor. Quem garante é o psicólogo Joseph Ferrari, da Universidade De Paul, do estado americano de Illinois, e um especialista no assunto. Ele estudou esse comportamento em países tão distintos como Austrália, Estados Unidos e Venezuela para comprovar que não se trata de algo cultural, mas de conduta intrínseca ao ser humano. "É um comportamento que é considerado tão natural na nossa sociedade que a maioria de nós começa o dia procrastinando, ao apertar aquele botão do despertador que permite que fiquemos na cama por mais cinco minutinhos ; diz. "Procrastinamos o tempo todo sem nem mesmo perceber que o fazemos"

Em pequena escala, empurrar com a barriga pode ser plausível. Afinal, há mais coisas a serem feitas do que qualquer um poderia dar conta em um único dia. Lembrar-se disso já é uma boa forma de ver a procrastinação com bons olhos, sem nos culparmos por não conseguirmos resolver todas as tarefas que a vida nos impõe. Não há mal nenhum em deixar para amanhã a renovação da carteira de motorista, o banho do cachorro ou a ida à costureira para pegar as roupas que ficaram prontas. O problema é quando se preterem muitas das tarefas. Ou então quando se adiam algumas delas por tempo demais.

O publicitário Sérgio Katz só se deu conta de que precisava parar de postergar os seus compromissos quando isso passou a lhe causar uma série de prejuízos - inclusive financeiros. Num curto intervalo de tempo, ele perdeu voos e a revisão gratuita do carro, pagou a academia de ginástica por meses sem nem ir sequer uma única vez e adiou incontáveis consultas e exames médicos. "Mas, de todas, a penalidade mais significativa era a tensão gerada e a energia que eu desperdiçava ao conviver permanentemente com uma preocupação sem resolvê-la de fato", diz. Quem procrastina sempre tem a ilusão de que adiar o problema é uma forma de solucioná-lo por enquanto. É como se o escondesse debaixo do tapete para, na próxima faxina, lidar novamente com ele. Mas a questão é que os problemas não deixam de existir na mente de quem os adia. E, o que é pior, alguns deles tomam proporções maiores com o passar do tempo. Se você deixar para cortar a grama no mês que vem, pode ter um esforço maior do que teria se a aparasse hoje. Esta é a percepção que o procrastinador não consegue enxergar: deixar para depois é quase sempre mais custoso.

O adiamento de algumas tarefas acaba virando uma bola de neve. Sem conseguir controlar o próprio tempo e as próprias ações, a pessoa percebe que os dias passam sem que ela tenha conseguido lidar de fato com as situações, causando uma angústia enorme. Sérgio diz que sempre foi de deixar as coisas para depois, como estudar de última hora nas vésperas das provas, quando ainda era um aluno do Ensino Médio. Mas, com a chegada da vida adulta e o acúmulo de responsabilidades que ela trouxe, ele tem que aprender a se refrear a cada dia. "Hoje, cada vez mais, concordo com uma música da Legião Urbana que fala que ‘disciplina é liberdade’", conta.



A tal prioridade
Mas, se a procrastinação pode causar tantos danos, por quê, afinal, nós deixamos para amanhã o que devemos ou podemos fazer hoje? Segundo Ferrari, temos a tendência de postergar tudo o que parece ser tedioso, demanda muito trabalho, não é para hoje. Ou o que não nos dê prazer imediato. A procrastinação é um embate entre o tempo psicológico, estabelecido pelos nossos desejos, e o tempo social, que é o marcado pelo do tique-taque constante do relógio. E ela pode estar relacionada a diferentes razões. Uma é a falta de autocontrole, que faz com que as pessoas acabem adiando atividades para as quais deveriam dar prioridade, justamente por agir de forma impulsiva e perder o senso crítico e racional da situação.

São pessoas que dizem gostar de trabalhar sob pressão ou resolver as coisas no limite do tempo. E afirmam ter um desempenho melhor dessa forma. Está certo que, enquanto o jogo está valendo, é possível fazer um gol até os 45 minutos do segundo tempo. Mas a chance de vencer uma partida com um gol de última hora é muito mais uma questão de sorte do que de bom desempenho. Nesse minuto final tão decisivo para o placar, é possível perder o passe, ter a bola roubada, errar o chute. Aí não há mais tempo hábil para reverter o jogo. "Essas pessoas nem sempre gostam de trabalhar assim, mas por ter dificuldade de estimar o próprio tempo e, por isso, deixar as coisas para a última hora, têm que entregar tudo sob pressão e fingem gostar disso", diz Ferrari. Na maioria das vezes, elas não conseguem calcular racionalmente o período necessário para a realização de uma tarefa, deixando-a, então, para os momentos finais.

No ambiente de trabalho, é comum agirmos pautados pelas prioridades. Ainda mais hoje, em que tudo parece ser ainda mais urgente. O senso de urgência teve sua referência alterada. Tudo é muito rápido, tudo é para ontem, tudo tem que ser agora. Do contrário, podemos perder clientes, dinheiro, posição ou até status, diz o consultor de recursos humanos Marcos Nascimento. Mas essa mudança no parâmetro de urgência afetou todos nós de forma negativa. Tanto que não podemos conviver com a ideia de deixar para amanhã a resposta a um e-mail que não é tão importante assim. Na ânsia de fazer tudo e mostrar para o chefe que dão conta de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, as pessoas acabam postergando as tarefas que deveriam ser fundamentais. "A tendência que temos em glamourizar o estresse influencia muito nossas decisões. Daí, como temos muitas coisas consideradas urgentes, é bem provável que coisas cruciais, realmente importantes, fiquem negligenciadas", afirma.

Ou seja, esse novo senso de urgência está fazendo com que nos tornemos mais procrastinadores ao adotarmos a ideia de que tudo é impreterível. Não é: há coisas mais urgentes do que outras. E estabelecer essa hierarquia de prioridades, apesar de difícil, é primordial para que as tarefas importantes sejam feitas com a dedicação que elas exigem. Estudos indicam que, quanto mais detalhada e objetiva for uma tarefa, mais chances temos de realizá-la. Se, ao contrário, percebemos uma atividade como distante do aqui e agora, tendemos a deixá-la para ser resolvida em um futuro vago, para quando sobrar um tempo - se é que vai sobrar. Por isso, é mais fácil procrastinarmos uma intenção (como começar a estudar italiano) do que uma tarefa (entregar um orçamento). Criar prazos e termos concretos é uma forma de nos impulsionarmos a pôr a mão no batente e seguir em frente - seja no que for. Se os editores desta revista não me dessem um prazo, dificilmente eu estaria contando o que eu apurei nesta reportagem para você neste momento. Provavelmente, ia continuar a me distrair com o jornal ou até com outros afazeres acumulados. Porque os prazos nos ajudam a vislumbrar o que tem que ser feito. E fazer!



Tomar decisões
Mas nem todo mundo consegue ter essa visão prática da vida. Tenho uma amiga que vive uma grande dificuldade nesse sentido. Não que ela não saiba o que é preciso fazer. Ela sabe - e faz muitas delas, principalmente no trabalho, onde todos nós costumamos ser mais responsáveis. Mas muitas vezes ela procrastina por não conseguir tomar uma decisão acertada das coisas. Desde que eu conheço a Carla (como ela pediu para chamá-la aqui), ela sempre foi assim: atrasada para todos os encontros e compromissos, ela tem um verdadeiro guarda-roupa no carro justamente por nunca conseguir ir para casa se trocar. Em aniversários e comemorações, ela não compra o presente de última hora: compra no outro dia, quando o aniversário já passou. Há duas semanas, a vi online no MSN e perguntei se ela permitia que eu contasse a história dela aqui, já que não conhecia uma pessoa mais procrastinadora. Ela gostou da ideia, mas precisaríamos conversar outra hora porque ela tinha que pagar uma conta pela internet ainda naquele dia. Detalhe: eram 23h40 da noite. "Sou enrolada mesmo,. Fico adiando e quando vejo passou da hora. Se eu sei que tenho 15 minutos para fazer alguma coisa, eu uso os 15 minutos cheios e ainda aproveito mais uns dez minutos que usaria para outra coisa"; admite.

Não pense que a Carla se vangloria por ser assim, não. Se pudesse, ela seria bem mais organizada e decidida. "Quando consigo me organizar e antecipar as coisas, sinto uma satisfação muito grande. Mas quase nunca consigo" diz. E essa impossibilidade não está ligada somente aos afazeres e compromissos, mas à vida pessoal. Em um relacionamento há cerca de oito anos, ela já não se sente tão envolvida, mas não consegue dar um ponto final à relação. "Nos últimos dois anos, o problema só se agravou. Eu continuo adiando, adiando e adiando. Mas eu simplesmente não enxergo o dia em que essa decisão terá que ser tomada. Fico buscando caminhos, saídas, soluções. Tudo para evitar cada vez mais algo que é inevitável, conta.

Carla faz parte de um grupo de pessoas que procrastinam por não conseguir tomar decisões porque não decidir, na cabeça delas, as absolve das responsabilidades que viriam com tais decisões. E, para não sofrer as consequências, preferem ficar estacionadas. A maioria de nós também é assim: temos a necessidade imperiosa de evitar ou desprazer a qualquer custo. Preferimos, muitas vezes, a agonia da espera, em lugar de fazer de uma vez o que precisamos, principalmente se for para nos causar qualquer tipo de sofrimento. Não conseguimos ter o distanciamento necessário para estabelecer uma relação entre esforços e resultados e perceber que o sofrimento, muitas vezes, vem em decorrência de uma mudança mais positiva. E que causaria muito mais prazer para nós mesmos.



Sem medo de arriscar
Segundo Ferrari, essa questão está ligada a nossa baixa autoestima e nossa insegurança. E, por causa delas, acabamos protelando por evitar o medo de não termos o sucesso esperado em algumas tarefas. "As pessoas com essas características são muito preocupadas com o que os outros pensam delas. Dessa forma, preferem que pensem que ela é displicente e tem problemas em se esforçar para agir do que percebam que, no fundo, elas não têm habilidade para isso" explica. Quem se lembra da história de Joe Gould sabe bem o que isso significa. Gould era um boêmio culto que vivia como um mendigo pelas ruas de Nova York entre as décadas de 1940 e 50 sem dinheiro no bolso e com uma ideia fixa na cabeça: escrever uma obra monumental que ele tinha intitulado de História Oral do Nosso Tempo. O livro seria o maior já escrito no mundo e reuniria ensaios e conversas ouvidas por ele em suas andanças pela metrópole americana.

No ambiente de trabalho, e comum agirmos pautados pelas prioridades. Ainda mais hoje em dia, em que tudo parece ser mais urgente.

O perfeccionismo exacerbado pode ser um dos entraves para a realização de todas as tarefas e obrigações que estão à nossa espera todos os dias.

Gould tinha certeza de que a obra faria dele um grande escritor e historiador dos tempos modernos, um nome para ser lembrado pela posteridade. Sua vida foi contada pelo repórter Joseph Mitchell, um dos maiores nomes do jornalismo literário, em dois perfis publicados na revista New Yorker - e depois reimpressos no livro O Segredo de Joe Gould. Sem querer ser um estraga-prazeres, revelando o segredo de Gould aqui, é imperativo: a História Oral não existia, era uma mentira forjada por Gould. Ele nunca chegou a escrever um rascunho do livro, apesar de propagar em conversas a grande obra-prima em que estava trabalhando. "A História Oral era seu salva-vidas, o único meio de se manter à tona”, escreveu Mitchell sobre seu personagem. "Se ele a tivesse escrito, provavelmente não haveria de ser o grande livro que andara apregoando para cima e para baixo"; acredita seu biógrafo.

Por achar que o livro propriamente dito fosse ser inferior à ideia que ele tinha (e fazia os outros terem), Gould recuou e preferiu viver por trás da máscara de um grande escritor sem nunca tê-lo sido. "É normal as pessoas se sentirem paralisadas quando algo parece ser maior do que elas. Acabam procrastinando porque exigem tanto de si próprias numa tarefa que acabam com medo de enfrentá-la'; afirma o psicoterapeuta e filósofo Ari Rehfeld.

O perfeccionismo exacerbado tem a capacidade de nos fazer desistir ou postergar por um tempo ilimitado nossos afazeres, desejos e intenções. "Dê-se a chance de realizar algo bom e não necessariamente ótimo. Experimente começar a fazer para só depois avaliar. Permitir começar já é um grande passo"; aconselha Rehfeld. Claro que é preciso ter consciência das limitações e habilidades para o que se está disposto, mas se vencermos o que nos paralisa e nos desviarmos das distrações que nós mesmos colocamos todo dia em nossa vida, já teremos meio caminho andado para enfrentar qualquer situação. Nem que seja, como no meu caso ou no de Gould, uma temida página em branco.

INTERNET
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Xô, procrastinação

CRIE PRAZOS
Eles são importantes para nos organizarmos mentalmente e termos claro que não podemos enrolar para sempre para fazer as coisas e cumprir os compromissos.

FAÇA LISTAS
Coloque tudo o que você tem ou deseja fazer no papel. Mas seja sincero mesmo: elimine as tarefas que você não planeja realizar nunca, mas vai acumulando.

NÃO MISTURE
Faça listas diferentes para prioridades do trabalho e dos afazeres domésticos, por exemplo. Senão as urgências do trabalho vão sempre ficar em primeiro lugar.

DÊ-SE RECOMPENSAS
Permita ficar meia hora batendo papo para algumas horas seguidas trabalhadas ou prometa-se um presente quando estiver na metade do projeto. Isso ajuda a se esforçar mais.

ABRA O JOGO
Se você acha que não vai dar conta de uma tarefa, seja honesto: fale das suas dificuldades. Mas, se possível, tente faze-la. Você pode se surpreender.

CONCENTRE-SE
A forma mais fácil de procrastinar é se distraindo. Dê atenção às tarefas. E evite telefones, e-mails e tentações da internet.